Para assinalar os 75 anos da Greve dos Sapateiros, acontecimento marcante na vida coletiva deste comunidade, a organização concelhia de S. J. Madeira do PCP promoveu uma sessão debate no dia 3 de agosto pela 21:30 horas, no auditório Zeca Afonso/Sindicato do calçado.

A participação de diversos intervenientes na sessão, conduzida por Joaquim Almeira, estudioso da luta dos trabalhadores no distrito e ex-coordenador da União dos Sindicatos, e Daniel Vieira licenciado em história e naturalmente interessado na evocação deste acontecimento enquanto neto de um dos organizadores da Greve, tornaram a comemoração particularmente relevante e extremamente adequada. Como foi sublinhado, não se pode viver adequadamente o hoje, sem conhecer o que aconteceu antes, sem se perceber como se chegou cá!

Foi há setenta e cinco anos que milhares de trabalhadores do calçado reagiram organizadamente às degradantes condições de vida que levavam.

Vivia-se em plena guerra, 2.ª mundial, com restrições brutais na distribuição dos géneros alimentícios e com condições de trabalho sufocantes: nos horários, nos salários, nas condições para o desempenho da profissão.

Assim, esgotadas as possibilidades de entendimento com os patrões, num acto colectivo edificante da sua condição de trabalhadores, ousaram reivindicar melhores condições de vida e de trabalho, utilizando para isso a última arma que lhes restava, o recurso à greve!

No dia 5 de Agosto de 1943, pelas 8 horas da manhã, muitos operários não se apresentaram ao trabalho; dividiram-se em grupos e foram de fábrica em fábrica, incitar outros trabalhadores à greve. ... 2000 operários sapateiros em Greve!... de S. João da Madeira mas também do Couto, Arrifana e Nogueira do Cravo! Na hora de almoço, juntaram-se a estes os trabalhadores da Oliva e de toda a massa trabalhadora da região numa grande manifestação, protestando contra a falta de géneros e reclamando a satisfação das suas reivindicações.

As suas justas reivindicações foram violentamente reprimidas pelo regime fascista e muitas famílias, de sanjoanenses ou de freguesias vizinhas, viram familiares e amigos serem detidos, espancados e torturados; alguns tiveram mesmo que passar à clandestinidade.

Estas lutas da classe operária foram ferozmente reprimidas pelas forças da repressão da ditadura fascista de Salazar em especial a PIDE

S. João da Madeira foi, durante 2 meses, ocupada militarmente e mantida em estado de sítio.

As razões desta luta, a forma como se organizou e concretizou, as suas consequências, estiveram na rua, numa exposição que o PCP organizou e expôs à população da região, na sexta feira, 2 de agosto no Largo do Souto/Avenida Dr. Renato Araújo e nos dias 3 e 4, sábado e domingo, na Praça Luís Ribeiro.

A organização concelhia do PCP procurou dar visibildade a uma importante parte da história local, contribuindo para o conhecimento da sua formação, enquanto coletivo populacional, mas, também, para homenagear aqueles que, nesse percurso, não se conformando com as injustiças e sofrimento do povo, ousaram lutar para alterar a situação e contribuiram decisivamente para a sua dignificação.

Organização Concelhia de S. J.Madeira do PCP


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