Numa reunião, recentemente realizada, preparatória da VIII Assembleia Regional de Aveiro do PCP, a organização concelhia da Murtosa, analisou o quadro económico e social extremamente preocupante do Município.

A situação torna-se deveras insustentável, fruto das políticas de governos sucessivos, ora do PS ora do PSD, com ou sem CDS, mas que tem agora, na gestão Sócrates, um expoente máximo de degradação e retrocesso social.

O que se passa hoje, por exemplo, em geral nas escolas do Concelho, é bem, o reflexo do conjunto de problemas sociais e laborais que aqui igualmente não param de crescer: desemprego, precariedade, exclusão social e pobreza.

As próprias medidas restritivas e os cortes contidos no Orçamento para 2011 só irão agravar ainda mais este panorama. Tal como noutras áreas essenciais, também o sector da Educação será particularmente atingido. Desde logo com os projectos em curso da concentração das escolas e da criação dos mega agrupamentos que, numa opção meramente economicista, tendem isso sim a prejudicar as condições pedagógicas e o acompanhamento dos alunos, bem como a sobrecarregar as Autarquias Locais com novos encargos em matéria de transportes.

Não obstante ser um Concelho considerado de risco, desde a década de 90, a Murtosa e os seus professores não escapam aos problemas que atravessa a classe docente no País. No corrente ano lectivo, os professores viram-se confrontados com o aumento médio de alunos por turma, em virtude dos cortes cegos do Ministério da Educação, o que torna a situação quase incontrolável. Isto faz crescer a indisciplina que já não era pouca e todos os outros problemas a ela associados. Igualmente os Assistentes Operacionais – funcionários das escolas - estão a ser “racionados” e tendo-se aposentado uns quantos não foram substituídos por igual número dos que saíram. Na Educação Especial foi negado o pedido de mais um docente, ficando os professores desta área sobrecarregados e, o que é mais grave, mais de uma dezena de alunos, com "necessidades educativas especiais" de carácter permanente, não vão sequer beneficiar de qualquer apoio especializado. A ordem é: cortar, cortar, cortar. Da mesma forma, na Unidade de Intervenção Precoce para crianças até aos 3 anos, está prometida mais uma educadora para 10 crianças apoiadas o ano transacto que ainda não foi colocada, o que nos leva a recear pela sua concretização efectiva. A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens da Murtosa não tem psicólogo há 2 anos. Como se pode trabalhar assim?

Entre os docentes o clima, em suma, é de desânimo e profunda mágoa face ao abandono e sobrecarga a que estão votados.

EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA!

Murtosa, 28 de Outubro de 2010

PCP / Murtosa

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