O direito à saúde consignado na constituição da república portuguesa é um direito universal. Não pode assim estar dependente de razões geográficas, de interesses regionais ou gestionários. Nos últimos anos, verificou-se a degradação do Serviço Nacional de Saúde, tendo o concelho de Estarreja sido seriamente afectado. Encerraram as extensões de saúde na freguesia de Fermelã e Canelas, limitando assim o acesso aos cuidados de saúde primários destas populações, e de forma continuada, foram encerrados serviços e diminuídas valências no Hospital Visconde de Salreu.

As promessas de investimento nos serviços de saúde tardam em cumprir-se: a promessa de um novo hospital no concelho e do melhoramento dos centros de saúde existentes continuam por realizar.

Entretanto a população de Estarreja vê o seu acesso à saúde cada vez mais limitado. Nos cuidados primários continuam a faltar médicos de família e serviços de enfermagem que possam atender as necessidades da população. As situações de saúde com exigência de meios auxiliares de diagnóstico ou de especialidade (mesmo as mais comuns) empurram as pessoas para o Hospital de Aveiro, Ovar ou Feira. Perante necessidades de intervenção cirúrgica, ainda que de ambulatório, a deslocação ao Hospital de Aveiro/Águeda é obrigatória.  

Nas situações de urgência a população do concelho de Estarreja não encontra resposta na consulta aberta, com horário pré-estabelecido e sem qualquer acesso a meios de diagnóstico, sendo obrigada a deslocar-se para o serviço de urgência do hospital de Aveiro, já de si com limitadas capacidade de resposta e sobrelotada e onde ficam sujeitos a longas esperas. 

Para além do direito de acesso da população  do concelho de Estarreja a cuidados de saúde de qualidade, o Serviço Nacional de Saúde tem também um importante papel a desempenhar  na prestação de cuidados de emergência. Num concelho com acesso a duas vias rápidas que o atravessam, com uma forte circulação rodoviária na estrada nacional 109 e com um complexo industrial de potencial perigosidade, importa também dotar o concelho de serviços capazes de responder eficazmente à primeira linha de combate e socorro em situações de emergência.

O passar do tempo tem demonstrado que o que é preciso é valorizar este Hospital, dando à população que reside, trabalha e visita o concelho de Estarreja, acesso a cuidados de saúde públicos de qualidade, não remetendo os utentes para o sobrelotado Hospital de Aveiro ou para unidades privadas.

Nos últimos anos vimos assistindo a uma progressiva degradação do Hospital Visconde Salreu, que cria na população grande desconforto e receio que, como aconteceu noutros casos, se esteja a preparar o seu encerramento.

Foram exatamente estas as preocupações que o PCP levou a Assembleia Municipal de Estarreja do passado dia 27 de abril, apresentando uma moção onde se reclamava  o empenho da Câmara e Assembleia Municipal para “junto do governo exigir:  o cumprimento  da resolução aprovada na Assembleia da República que define a construção do novo Hospital de Estarreja; a abertura de um serviço de urgência básica no actual Hospital Visconde de Salreu  até à  abertura do novo hospital; a requalificação  dos serviços de saúde primários, quer em instalações quer em recursos humanos”.

Reconhecendo justeza,  razão e oportunidade à apresentação desta moção,  o PSD e o PS  optaram por votar contra a moção , com a desculpa de que pela importancia do hospital de Estarreja  para o concelho e a sua população  e que este assunto merecia  inclusão  explícita na ordem de trabalho da AM.  Mas era mesmo só desculpa. Marcada que está para a próxima sexta feira, dia 29 , nova assembleia Municipal  a desculpa cai por terra e não é incluído nenhum ponto sobre o hospital, nem  efetuada nenhuma diligência para responder  esta tão séria preocupação dos estarrejenses.

Perante a desvalorização que,  na Assembleia Municipal,  o PSD e PS mostram  pela importância desta justa reivindicação da população o PCP lança uma campanha no concelho  com o propósito de,  com  a população, exigir um  Hospital em  Estarreja valorizado e com um serviço de urgência que responda às suas necessidades e ao seu direito à saúde pública e de  qualidade no concelho, que já se iniciou com a colocação de dois cartazes no concelho.

É tempo da população  fazer ouvir a sua voz e desencadear as ações de luta necessárias para garantir o seu direito à saúde.  Neste sentido o PCP apela à população de Estarreja para que se envolva e empenhe na  recolha de assinaturas e nas ações que se venham a desenvolver-se pela valorização do Hospital Visconde Salreu, com recuperação do Serviço de Urgência e todas as intervenções necessárias para que preste à população cuidados hospitalares de excelência e que  seja dado cumprimento à decisão da Assembleia da República de construir um novo hospital em Estarreja

 

Estarreja, 22 de junho de 2018
A Comissão Concelhia de Estarreja do PCP


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