No âmbito da campanha do PCP “Mais Investimento, mais profissionais para o Serviço Nacional de Saúde” uma delegação de Albergaria-a-Velha do PCP visitou o USF D. Tereza onde se reunião com a Coordenadora desta unidade, Dra. Helena Melo.

A USF D. Tereza em Albergaria-a-Velha está a funcionar mal por falta de pessoal médico e administrativo. Neste momento tem 3 médicos e 3 administrativos quando para funcionar bem deveria ter 6 médicos e 6 administrativos. Situação que tende a agravar-se pois um desses médicos pediu a reforma há um ano, que a qualquer momento lhe pode ser concedida.

As instalações estão degradadas, com o aquecimento avariado, paredes danificadas e a cobertura deixa entrar a água da chuva, até nos gabinetes onde decorrem as consultas.

De acordo com a informação dada pela Dra. Helena Melo, a USF D. Tereza neste momento não funciona, pois não tem autonomia sequer para mandar arranjar um vidro partido, não pagam as despesas correntes de água, luz, etc., pois está tudo centralizado. E mais grave ainda, não podem contractar médicos nem funcionário, pois estão pendentes da autorização da Administração Regional de Saúde.

Tem apenas autonomia administrativa como por exemplo mudar horários, mudar as férias do pessoal, mas quando há um problema, avaria, têm de enviar 3 orçamentos para Aveiro e só depois as coisas são arranjadas, isto, se forem autorizadas. Não existem contratos de manutenção, limpeza de espaços verdes, de equipamentos, etc.

Aquando da nossa visita, a área ajardinada estava a ser limpa, porque os utentes fizeram queixa à Câmara Municipal, que desenvolveu esforços no sentido de tratar disto, uma responsabilidade que não faz parte das suas competências.

As USF’s foram criadas com a promessa de que os utentes iriam conseguir ser atendidos por um clínico na hora, mesmo que o seu médico de família falte. Além disso, que havia incentivos financeiros em função do trabalho realizado. Ora, não deixa de ser duvidoso que o USF D. Tereza em Albergaria-a-Velha cumpra os “objetivos”, que se baseiam na quantidade de atendimento e não na qualidade, e onde os utentes, por falta de consulta se desloquem ou a Águeda ou a Aveiro.

Não deixa de ser irónico que desde a sua criação, nos relatórios anuais enviados para a ARS, vá sempre mencionado “como se pode trabalhar sem recursos humanos”, sem que para isso as entidades responsáveis tomem medidas para a contratação do pessoal médico e administrativo necessários para o bom funcionamento da USF D. Tereza, e satisfação dos seus utentes.

Por tudo isto, o PCP defende que o SNS é um imperativo nacional e civilizacional. Ao longo de mais de 40 anos, o SNS teve uma importância decisiva na transformação radical dos indicadores de saúde em Portugal.

Os interesses privados que se movem em torno de muitos milhares de milhões de euros, a que ainda não deitaram mão, apostam numa campanha fortíssima para convencer a generalidade dos portugueses a aceitarem o sistema de saúde, transformado em negócio onde prevaleça uma lógica de funcionamento centrado na doença e não na saúde.

O PCP afirma que o caminho é impedir a destruição do SNS, através da luta dos profissionais e dos utentes.


Aveiro, 19 de Junho de 2018
O Gabinete de Imprensa da DORAV do PCP

 


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